O verdadeiro valor da vitória, soa engraçado ouvir essa frase que de uma certa forma parece bastante filosófica ligada a um filme que ao primeiro instante parece qualquer como Velozes e Furiosos. Eu diria que não. Eu iria muito mais além com esse filme, eu diria que ele nos tem muito a ensinar principalmente quanto a um modo de vida que não devemos seguir.
E por que de agora em diante somente tudo aquilo que for de mais inteligente somente é que devemos considerar? E todo o resto conseqüentemente ignorado. É preciso ir além dessa visão que posso dizer até mesmo preconceituosa. Não apenas o certo deve ser aprendido, mas como também o errado para que possamos compreendê-lo e então a partir daí formular algo de útil para nós.
Se foi nesse contexto que Velozes e Furiosos foi realizado, eu posso dizer que foi de uma genialidade imensa do autor. Primeiramente quanto ao valor da vitória que um personagem do filme dá. O que seria vitória? Algo tão simples quanto o filme retrata? Vitória seria então apenas o primeiro lugar? Ou seja, o comprimento de regras e o melhor resultado dentre as regras fornecidas e mais, em relação a outros competidores. A distância entre o resultado de um e outro não importa, só a lugar para o primeiro, o resto pouco importa.
Não tão simples assim, há um outro valor de vitória que poderíamos considerá-la mais filosófica. O grande problema desse tipo de vitória é que ela geralmente é pouco reconhecida. Nesse caso especifico, vitória seria então o melhor resultado dentro das possibilidades fornecidas. Em alguns esportes a vitória nesse termo filosófico e a vitória do filme que digamos é o conceito de vitória reconhecido e oficial podem se encaixar perfeitamente. Seria o caso do atletismo por exemplo em que as condições fornecidas a cada atleta são iguais.
Já não seria o mesmo no caso do automobilismo. Primeiro porque cada concorrente não tem o mesmo carro. E mesmo que tivesse seria impossível colocar condições totalmente iguais para todos os concorrentes. O local que cada competidor começa a corrida não pode ser o mesmo e isso já pode ser uma influencia que diminui as possibilidades de cada competidor. Exatamente por isso que um certo competidor pode ter menos possibilidades e então não alcançar a vitória oficial. Mas não seria ele por ter sido o melhor dentro das possibilidades fornecidas o real vencedor?
Seria então até mais que isso, uma divisão de tipos de pessoas no mundo, aqueles que nunca tentaram a vitória e já se dão por vencidos, aqueles que tentam mas estão ainda assim longe de serem os melhores dentro de suas possibilidades fornecidas, aqueles que são os melhores dentro das possibilidades fornecidas mas não alcançam a vitória oficial e aqueles que as vezes nem precisaram ser o melhor mas mesmo assim venceram oficialmente.
Levando isso para a vida real e principalmente para o automobilismo fica mais claro. Um exemplo recente e bastante discutido(e no bolo da discussão há aqueles que conhecem bem e aqueles que estão para fazer comentários cheios de achismos ou então juízos de valor, torcedores etc) é o de Michael Schumacker. Piloto que oficialmente conquistou o maior número de recordes da categoria que disputa, teria sido ele então o real conquistador de suas vitórias oficiais? E mais, ele mesmo não teria merecido conquistar outras vitórias pelo menos pelo lado filosófico. O fato que fica é que com o passar do tempo aqueles que não viram as corridas de Schumacker, e para piorar, aqueles que nem sequer viram as corridas de seus antepassadas o reconhecerão somente pelos seus números.
Seria então como dizer que Pelé foi melhor que Maradona pelo simples fato de que Pelé fez mais gols. E é claro que sempre surgem alguns questionamentos sobre isso, que foram épocas diferentes e portanto não se pode levar em consideração esse quesito para desempate.
Vimos até aqui que o simples filme Velozes e Furiosos com fins comercias também podem nos provocar reflexões profundas. Eu não estou aqui para fazer com que você leitor, concorde comigo, só estou aqui para fazer com que você saiba sobre o que acha que é vitória e que tenha um posicionamento racional em cima da questão.
Mas continuemos então sobre o filme que como já deve ter percebido, eu desvio demais o assunto e devo estar enchendo o saco de todo mundo que lê, sendo até as vezes e com motivos óbvios prolixo. Porém o obvio está ligado ao senso comum e nem sempre corresponde a realidade. Continuemos então.
Um fato que me chama a atenção no filme é como o público naquele caso dos rachas aceita com tanta facilidade e com tão pouco questionamento aquilo, que seus ídolos dizem. Ídolo nesse caso seria o personagem interpretado por Vin Diesel, me desculpem mas não me recordo agora de seu nome não filme, não nos interessa. O que interessa e nos é importante é o fato de pessoas engolirem conceitos facilmente provenientes de pessoas que elas respeitam. Respeitam por suas conquistas e então elas tem legitimidade sobre tudo o que falam. Uma legitimidade falsa, só porque alguém foi capaz de vencer em determinado sentido, não quer dizer que ela tenha consciência sobre a ação que ela faz. E o mundo infelizmente está cheio dessas pessoas que acham que sabem muito sobre determinados assuntos e pouco sabem. E como demonstrado no filme, essas pessoas ainda são capazes de passar suas idéias ridículas para outras pessoas ainda mais ridículas.
Uma sociedade que dá mais valor a estética, a somente um tipo de vitória tende então a ir ao fracasso e por que? Porque nesse momento somente os resultados importam, resultados do que especificamente? De algumas metas selecionados pelo ser humano. Mas tudo aquilo que está fora dessas metas não será desejado e podemos dizer que assim o ser humano não será capaz de ir muito além. Ou então até pode, mas não será capaz então de reconhecer outros modos e então terá uma visão fechada sobre o mundo. E por que não dizer que em Velozes e Furiosos temos muitos desses tipos? E por que não dizer que foi exatamente para criticar esses tipos que o filme foi feito? Não importa agora, o importante é que podemos dizer que mesmo das coisas que ao primeiro instante parecem banais e menos importantes, também nos é possível retirar algo de útil. Ou o que será o útil mesmo? Essa fica para a próxima.
sexta-feira, 20 de abril de 2007
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2 comentários:
Interesante...
TRIUMVIRAT - Old Loves Die Hard (1976)
http://www.projetoechoes.blogspot.com/
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