domingo, 30 de dezembro de 2007

O Confronto

Volto a fazer análises de filmes. Dessa vez novamente de mais uma nova obra-prima. The One é o nome original, como todo tradutor aqui no Brasil pensa que nós brasileiros somos burros e não sabemos inglês ou incapazes de entender o filme, traduziram para O Confronto. Sim, mais um filme filosófico. Não somente por isso, é mais um filme que faz ligações indiretas com o nazismo. O que? você não percebeu? mas toda a lógica racionalizada do nazismo está lá.

Fiz um seminário esse ano sobre o nazismo, não fiz sozinho, na verdade um aluno veterano de Antropologia o fez comigo, fez a parte mais inteligente. E nessa parte inteligente dele apareceu algumas coisas legais sobre o nazismo que explica toda a racionalidade envolvida nessa linha de pensamento.

O negócio é o seguinte, aquele tal de Foucault, que para quem não sabe é o cara de maior influência de acordo com o ranking norte-americano (esse ranking é medido pelo número de citações que cada autor possui em livros de outras pessoas), escreveu algo sobre deixe viver, deixe morrer. Primeiramente ele fala sobre a idéia do soberano, aquele que decide quem vai viver e quem vai morrer. Quem viu Gladiador deve estar lembrado do que estou falando. Já nas sociedades atuais, de acordo com Foucault, todo Estado segue essa mesma lógica, mas mascarada de uma forma diferente. O Estado dá saúde a alguns e deixa outros morrerem. E novamente, de acordo com Foucault, isso ocorre em todos os Estados.

Você pode até não concordar com Foucault, tudo bem, mas deve entender ele, se entendeu, vai entender o que vou falar sobre o que ocorre no filme The One. É bem simples. Vamos falar um pouco sobre a história do filme. É um filme de artes marcias com o Jet Li como ator principal, ou seja, a história não conta muito, mas tem algo interessante nela, então eu vou contar no próximo paragráfo.

É o seguinte, existem diversos universos paralelos. E em todos esses universos paralelos existe alguma pessoa idêntica a você. Existe então a idéia de que essas pessoas compartilham energia, força, inteligência, tudo aquilo de você é formado. Se eu tentar viajar nos universos parelelos e matar pessoas iguais a mim, você está colocando toda a energia nos demais que são iguais a você. E se você matar todos que são iguais a você, toda a energia obviamente vai para você.

É bobo, ridiculo, é mais um dos filmes que extrapolam leis da física (por isso eu não gosto de qualquer filme que fale sobre tempo, nenhum chega perto da teoria do Einstein). Mas o fato é que um cara lá do filme interpretado por Jet Li resolve de matar todos os caras iguais a ele para ficar melhor que todos. Então ele mata todos exceto ele mesmo e mais um que está tentando matar. A história do filme é isso, ele tentando matar essa última pessoa igual a ele.

Tem uma fala interessante no ínicio do filme desse cara assassino de pessoas iguais a ele mesmo em universos difererentes. A fala diz respeito ao fato de que ele não está assassinando pessoas, ele só está distribuindo a energia que está sendo desperdiçada e colocando ela em um única pessoa que será melhor que as demais.

Segue bem uma lógica de deixe viver, deixe morrer. Não exatamente, ele não está deixando morrer, ele está matando mesmo. Assim como fizeram os nazistas que queriam purificar o mundo com a raça ariana exterminando todos os demais. Os nazistas tinham um plano inteiro de extermínio, começariam pelos judeus e posteriormente iriam eliminando outras raças.

Aqui, o cara mal do filme decide fazer uma espécie de seleção artificial. Bem diferente é claro, nesse caso essa seleção artificial tem efeitos imediatos, no momento que ele mata alguém igual a ele, já ganha a energia de seu morto. E isso fica bem claro no filme.

Essa foi uma mensagem subliminar que você não viu. Sim, existem gênios que estão fazendo filmes bélissimos e você fala que é só pancadaria. Assista o filme inteiro antes de falar asneira.

Até mais, esse é o último texto do ano de 2007 neste blog. Desejo a todos vocês um péssimo ano novo pior do que este que está sendo ou já se foi.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Cadê o Hebag?

Cadê o meu blog favorito de músicas? deadend-hebag.blogspot.com ? não o vejo em lugar algum. Uma pena, Hebag me apresentou muita coisa nova e sempre atendeu meus pedidos.

Mas não posso aqui fazer um post desses pequenos. Não, tenho que sempre escrever algo grande, deve ser algo da psicanalise ou da pscicologia, quando o cara tem o pênis pequeno tem que comprar um carro grande, esse tipo de coisa. Não é o caso aqui, não sofro desses transtornos, mas aproveitando esse post tenho que lamentar o fato de ter ficado tanto tempo sem escrever no meu blog. Parece até que sou mais uma daquelas pessoas que se orientam pela moda, experimentam, viciam por 2 semanas e depois não querem saber mais. Não é o caso, opa, já falei isso, até meu linguajar já está repetitivo, tenho que melhorar em alguns pontos.

Esse blog já perdeu o sentido desde o início quando muitas pessoas foram incapazes de interpretá-lo. Infelizmente isso ocorreu. Ou então simplesmente não ocorreu porque não houve leitura de nada que foi postado aqui. Sendo assim perdi toda a minha motivação para a continuidade desse blog.

Bom, então eu tenho que falar um pouco mais sobre a minha situação atual porque é isso que as pessoas geralmente fazem em blogs. Estou finalmente de férias enquanto ainda tem pessoas com provas na semana que vem se matando de estudar de última hora para decorar alguma coisa que vão esquecer no exato momento em que saírem da sala e se diregirem ao bar mais próximo. Uma postura que eu ainda não adotei e é provavel que eu não adote. Enquanto eu não estiver com a minha BMW e dinheiro suficiente para mante-la, vou fazer aquilo que está mais próximo de mim, sociologia. Parece até contraditório, como pensando em um objetivo desses, um carro de luxo, continuo fazendo um curso que não possui uma perspectiva alta de salário? Acontece que vocês não devem ter entendido a lógica, sou uma pessoa que decidiu fazer apenas o que gosta, a sociologia está mais próxima da BMW, o que não significa que a sociologia pode se aproximar da BMW, sim, ela pode, na verdade pode orientar a BMW em novas pesquisas de mercado caso ela esteja interessada em partipar em novos mercados. O que não é interessante para uma marca que tem uma reputação e de acordo com alguns leigos baseados em teorias que não se aplicam aqui, é uma marca que vende por si só e não pelos produtos que faz. Mas eu digo que é totalmente o contrário, a BMW faz carros até que muito baratos pela qualidade que possuem.

Então porque a BMW não fez sucesso aqui no Brasil? primeiro, não possui fábrica aqui, todos os carros são importados. Para facilitar as importações os pacotes são simples, não se pode comprar qualquer modelo, poucos são oferecidos. Os impostos são altissimos e o IPVA tambem. Isso torna os carros caros.

Eles são caros mas a partir do momento que saem de uma concessonária para as mãos de um politico que comprou essa BMW com o nosso dinheiro ou então qualquer outro ricaço, o carro perde o valor que cai pela metade. UAU! Então sempre compensa comprar uma usada ao invés de uma nova. Se o consumidor brasileiro tivesse um conhecimento maior sobre a alta resistência dos motores BMW seria uma boa sim. O único porém é que mesmo uma BMW com motor 1.6 de 115 cavalos consome mais que um carro 2.0 aqui no Brasil.

Enquanto você pode comprar uma BMW série 3, um sedan pequeno de acordo com as medições da BMW, mas de tamanho equivalente a de um Civic ou Corolla, com um motor 2.0 de 150 cavalos, por 50.000 reais depedendo da idade e com uma baixa quilometragem que só necessitará de poucas mudanças, talvez você encontre um Vectra com um motor de mesma cilindrada mas menor potencia com a mesma idade e com a mesma quilometragem pelo mesmo valor, estamos falando de carros completos. Duvida? começe agora mesmo a pesquisar. Se isso parece impressionante para você, olhe os preços em sites estrangeiros, surpreenderá tanto com os carros novos e usados.

Um carro ruim é valorizado no país. Um carro ruim é barato, aqui no Brasil as pessoas não tem grana. Parece ilógico, as pessoas estão procurando sempre o melhor mas estão procurando o pior? o carro brasileiro é de fácil manutenção e tem alto valor de revenda. O importado não, como se não bastasse tem o IPVA carissimo todo ano.

O fato é que a GM produz os mesmos motores por muito tempo, mas muito tempo mesmo. O motor do Opala deve ter durado uns 20 anos, esse do Vectra de agora tambem deve estar querendo entrar na galeria dos duradouros. Um bom motor para o inicio dos anos 90 mas não mais hoje. É gastador, tem baixo torque e potencia pelo seu tamanho. Mas é barato e de fácil manutenção, as peças são facilmente encontradas.

O Vectra é montando com peças de outros carros da GM no Brasil, peças do Corsa, do Astra e até mesmo da Blazer no caso do motor 2.4. Pega um pouquinho daqui, um pouquinho de lá, só falta agora fazer o manual, como montar o seu próprio Vectra, é um carro que pode ser montado em qualquer mecanica!

O que quero dizer com isso? é que a cultura é extremamente importante na economia. Ela influencia a oferta. Você não pode fazer com que as pessoas engulam um produto que você ache bom. É melhor vender o ruim mesmo quando elas acrediram que é o melhor. Ruim, bom, tudo isso é relativo, depende do gosto do freguês, você pode vender uma BMW por 10 mil reais que só de alegar que o dono terá problemas com ela, pode apostar, o brasileiro não vai comprar.

Temos uma cultura nojenta que supervaloriza carros ruins porque são "baratos" e desvaloriza os carros bons porque são "caros". São mesmo?

Não é somente quanto a isso. Quer mais exemplos? esse pode ficar mais claro até que ponto eu quero chegar, já se perguntou porque não se vende muitos carros com bancos de cor clara? não é muito aceito pela cultura brasileira. E mesmo que o dono queira terá um valor de revenda baixo. Carro por mais depreciavel que seja, no Brasil é tratado como investimento, compra-se o carro novo que o segundo dono vai querer. Não compre carro personalizado aqui, é caro e o próximo dono não pode gostar, não vai consequir vender por um bom preço.

Isso tudo fez com que a FIAT tivesse problemas com o Marea. Quando ela trouxe o Tempra para o Brasil no inicio dos anos 90 pensava conseguir pouco lucro, o carro não fez sucesso na Itália. Se enganou e o carro fez sucesso por aqui se rivalizando com o Monza inicialmente e depois com o Vectra. Ela decidiu depois trazer o Marea, um bom carro com uma mecanica mais moderna que a do Tempra, um motor de 5 cilindros que se tornou no desastre da marca no segmento de sedans de porte médio-grande. O Vectra quando chegou em 1994 aproveitou varias peças do Monza, outras foram importadas, na época o dólar era barato e então não causou grande aumento de custos. O Vectra de hoje possui praticamente o mesmo motor, a curva de torque e potencia devem ter sido redesenhadas, mas alguns problemas persistem, o motor é gastador. Engraçado, mas na época, 1994 a GM decidiu trazer para o Brasil o motor SFI 2.0 16v de 150 cavalos. Esse motor era importado e não foi mais usado por aqui a partir da segunda geração do Vectra. Mas e se esse mesmo motor fosse usado de lá para cá? não teriamos passado todos esses anos com um motor mais moderno? e agora com uma manutenção mais acessivel? O motor do Opala ficou 20 anos por aí, se depender do brasileiro, sempre ficaremos com o ruim, porque o ruim é mais barato. E nunca, mas nunca melhoraremos porque o bom é sempre novo e raro e portanto caro.

Quanto ao blog, me desculpem, sai de mais do que eu queria com esse post, agora esqueçam, na verdade nem eu mesmo sabia o que eu queria, mas precisava postar algo, até mais.