sábado, 26 de setembro de 2009

A verdadeira pergunta é...

É muito comum ouvir que algum bem de produção tecnológico retira empregos humanos, sendo assim a causa de desigualdades sociais, pobreza entre outros problemas. Essa é uma pergunta deslocada, assim como tantas outras que se fazem, como, por exemplo, perguntar se o ser humano é por essência social. É uma pergunta inadequada, assim como sua provável resposta, sim ou não, ela não diz nada sobre o que é o ser humano, mas sobre o que ele deve ser e o que o ser humano deve ser é totalmente relativo, subjetivo.

Daí, na mesma maneira, se pergunta se as máquinas são a causa do desemprego. Pior que isso, dizem que devemos correr para trás e não pensar mais em desenvolvimento tecnológico. Não a toa, um argumento que surge constantemente contra o socialismo, é que este é incapaz de produzir desenvolvimento tecnológico. Assim, se uma pessoa escuta música em um aparelho Hi-Fi necessariamente ela está dizendo para si e para os outros que o capitalismo é o melhor sistema social de todos.

Mas o problema não é esse. Não são as máquinas em si que trazem desemprego. Elas apenas ajudam a produzir bens com maior velocidade e menor custo que qualquer ser humano poderia sozinho fazer. E que mal há nisso.

O problema está não na coisa em si, mas naquilo que nos humanos entendemos pela coisa, o que faz com que a coisa seja pensada como tal e a partir dela o que se é possível fazer com ela. Primeiro porque não existe a coisa em si saltando para os olhos das pessoas e tendo o mesmo significado para todos. E segundo, o que é mais importante aqui, é que os usos são diversos. Então a verdadeira pergunta é: quais os usos da máquina no sistema social atual, ou seja, o capitalista?

É bastante provável que o próprio Marx não era exatamente um ludista e não pregava o extermínio das máquinas. Pois segundo o próprio, o problema está nas relações de produção geradas por um modo de produção. A existência de duas classes distintas que se classificavam pela sua relação com tais modos, os possuidores e aqueles que nada possuem e eram obrigados a vender suas próprias forças de trabalho para o auto sustento.

E é aí que está o problema. Nós não fazemos com que as máquinas trabalhem para nós. Nós não, mas um seleto grupo o faz. E a razão disso tudo também já estava documentada por Marx, a propriedade privada.

Daí porque pensar num novo modo de produção que fosse capaz de redistribuir a renda não era assim bem uma má idéia. Mas pensar nesse novo modelo, não é eliminar todas as máquinas, mas fazer para que elas trabalhem por todos. Afinal, existe uma grande contradição nessa capacidade enorme de produção de bens no mundo todo e o fato de que nem todos podem usufruí-los.

Nos últimos tempos temos pensado em soluções demais dentro do próprio capitalismo, já que se diz que, os outros sistemas sociais são simplesmente utópicos. Isso até tem o seu fundo de verdade. Mas acredito que devemos fazer aquilo que o Marx fazia, continuar nos atentando para os problemas das contradições do capitalismo a fim de superá-lo. É claro que para isso, é preciso entender que o capitalismo que Marx criticava era um, que a sociedade moderna mudou (alguns vão dizer que já fomos além disso, outros que nem chegamos lá) e que a própria teoria de Marx é falha em alguns pontos. Porém, tais contradições não deixam de existir. Afinal, se produz comida em excedente para 2 bilhões de pessoas a mais que o existente no mundo e contraditoriamente é esse número de pessoas que se vê passando fome, há algo de errado aí.

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