sábado, 10 de outubro de 2009

Continuação da postagem anterior

Marx não foi o único a enxergar contradições no capitalismo. Outros economistas, não marxistas, também brigaram fortemente contra o modelo neoclássico, aquele que acredita que a economia se auto-regula.

Nesse caso, vale a pena citar Keynes, que ao contrário de Marx, propôs algumas soluções para o capitalismo sem a necessidade de destruí-lo, apenas reformá-lo. O mais engraçado é que Keynes deixou esplicíto algumas ilogicidades do capitalismo e no entanto, no momento em que se Marx estivesse vivo, ele diria: a hora da revolução é agora, a revolução não ocorreu.

Keynes inicialmente tentou até propor as melhores soluções, hospitais e colégios públicos, um grande gasto em infra-estrutura, certas medidas dessas e parecidas com essas foram realmente realizadas. No entanto, outras só fazem sentido numa lógica que tenta salvar o capitalismo, fora dessa lógica, não faz sentido algum. Ou será que faz sentido mandar pessoas cavar buracos, enterrar objetos e depois pagar outras para desenterrar os mesmos objetos? Faz sentido porque gera renda e cria mercado consumidor, aproxima a curva de demanda da de oferta e resolve o problema da superprodução.

Mas para quê pagar as pessoas para fazerem trabalhos tão estúpidos se já se produziu mercadoria suficiente para todos?

E é aí que eu volto para a mesma questão da postagem anterior. As soluções propostas até aqui não pensaram na verdadeira raíz do problema. Não seria mais sensato que num mundo que se produz muito, todos terem renda suficiente para não passar fome e atender não somente necessidades vitais como de prazer e lazer? Porque para o que se produz hoje, isso deveria acontecer.

As vezes eu costumo pensar sobre alguns equipamentos velhos de som que são vendidos no Mercado Livre. Não quaisquer equipamentos de som, mas aqueles de alta-fidelidade que no passado foram comprado por ricassos. Quando os vários ricos de vários séculos morrerem, o que sobrará? talvez vários equipamentos eletrônicos, algumas peças de seus carros antigos ainda terão alguma utilidade, enfim, o que se já produziu nesse mundo não deveria ter atendido uma demanda mundial?

Está certo que vários bens se tornaram acessíveis. E acredito que com o passar do tempo isso só tende a crescer. Então, logicamente não precisamos ir na contramão, não sou contra essa idéia de produção, apenas sou contra a forma como é organizado os modos de trabalho e distribuição.

Volto a falar sobre isso e vale a pena enfatizar, passamos tanto tempo tentando resolver os problemas do capitalismo que deixamos de olhar para novas soluções em um novo modo de produção.

Quanto a esta mensagem, ainda cabe fazer uma observação. Do porquê Keynes acertou. Ele acertou tão somente porque desconsiderou uma imagem, naquele momento, de homo economicus e passou a olhar em um dado interessante da sociedade, um dado histórico.

A economia tende a acertar mais quando olha para tais dados. O homo economicus existe, é claro, mas em diferentes formas em diferentes sociedades. Os sociólogos e antropólogos fazem essa crítica, cabe aos economistas olharem para ela e passarem a trabalhar com ela. Cálculos feitos em cima de imagem atemporal que não existe hoje e talvez em lugar nenhum, não nos ajudarão a resolver os problemas econômicos.

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